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Cadê a tartaruga que estava aqui? O Asfalto comeu.. |
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Ter, 26 de Outubro de 2010 16:53 |
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No sábado dia 23 de outubro as ONGs Associação Guajiru e a APAN (Associação Paraibana de Amigos da Natureza), estudantes de biologia e moradores do Bessa, realizaram uma manifestação no trecho da praia do Bessa entre o Mag Shopping e o Iate Clube, com o objetivo de protestar contra o projeto de urbanização deste trecho de praia. O projeto prevê a instalação de calçadão, ciclovia e asfalto para o tráfego de veículos. O projeto faz parte de um plano nacional de urbanização de praias voltado para o estímulo ao turismo.
Entretanto, o trecho em questão com cerca de 1 300m é área de desova de tartarugas marinhas em especial da tartaruga de pente (Eretmochelys imbricata), onde são registrados aproximadamente 20 ninhos por ano. Essa espécie em questão encontra-se criticamente ameaçada de extinção, significando que suas populações estão tão dizimadas que num futuro breve se nada for feito ela estará completamente extinta no planeta.
Tartarugas marinhas têm inúmeros papéis na natureza, um dos mais importantes, é o de servir de alimentos para outros animais marinhos, por isso, de cada mil filhotes que entram no mar, somente um ou dois alcançarão a idade adulta (que se dá por volta dos 30 anos de vida), os demais morrem na forma de alimento para outros animais marinhos como, por exemplo, peixes. Na seqüência estes peixes servem de alimento para nós seres humanos. Na areia da praia os restos do ninho, como as cascas dos ovos e embriões mortos, têm papel de adubo para a vegetação de praia, alimento para insetos e outros animais que pertencem aos ecossistemas de restinga, manguezais e por fim da mata atlântica. Portanto, o equilíbrio ecológico destes locais depende das tartarugas marinhas e conseqüentemente nossa qualidade de vida. Podemos dizer, que ao cuidarmos das tartarugas estamos cuidando de nós mesmos ajudando na manutenção da cadeia ecológica marinha e assim garantindo recursos para a nossa e as futuras gerações.
De biologia complicada, além de serem animais de vida longa percorrendo centenas de quilômetros nos oceanos na busca de alimento e abrigo, tartarugas marinhas apresentam o que chamamos de fidelidade ao local de nascimento. No momento da emersão do ninho e sua busca frenética pelo mar os filhotes fazem uma leitura do campo magnético da Terra e desta forma memorizam o trecho de praia em que nasceram, para onde, fielmente, somente as fêmeas voltarão para desovar após atingirem a idade adulta. Ou seja, as tartarugas que vemos nascendo neste trecho de praia, são únicas e exclusivas dele, trocando em miúdos são paraibanas, filhas de paraibanas, netas, bisnetas, trinetas, etc. etc. de tartarugas paraibanas, a destruição deste ambiente é a sentença de morte destas paraibanas fiéis ao seu pedaço de chão e do qual dependem para seguir existindo.
Além do polêmico projeto a área sofre uma intervenção positiva do Patrimônio da União, que recupera trechos dessa praia que havia, ao longo do processo de urbanização do bairro, sido incorporados por morados aos seus quintais, em muitos havia piscinas, jardins e outros tipos de áreas de lazer. O que não é correto, pois estes trechos são públicos e como tal devem ser devolvidos ao coletivo. Voluntariamente, os moradores recuaram seus muros, e em algumas partes podemos observar a destruição da restinga pela ação dos tratores e máquinas usadas na intervenção. Há que se pensar em uma forma menos danosa ao meio ambiente para a retirada destes destroços, para proteger a restinga, com a vegetação fixadora de dunas, que são os locais de desova das tartarugas.
Com a vitória no retorno ao público de áreas até então privatizadas, o que as ONGs e a população esperam é a recuperação do ecossistema, com reconstituição das dunas e da vegetação nativa. Fazer isso é andar na mão do desenvolvimento, aplicar no seu mais pleno conceito o tão famoso jargão “DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL”, pois assim se estará preservando ambientes legalmente protegidos por lei, espécies ameaçadas de extinção e a qualidade de vida dos pessoenses. Fazer isso é garantir que João Pessoa siga sendo a única capital litorânea com desovas de tartarugas marinhas e que as tem porque soube crescer de forma racional. Senão o que nos restará são fotos históricas da riqueza que tínhamos e deixamos se perder porque não olhamos para o futuro.
Dra. Rita Mascarenhas
Coordenadora do Projeto Tartarugas Urbanas
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Última atualização em Qua, 27 de Outubro de 2010 01:37 |
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Encerrada temporada reprodutiva 2009-2010 de tartarugas marinhas no litoral paraibano |
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Seg, 30 de Agosto de 2010 21:54 |
Encerrada a temporada reprodutiva 2009-2010 de tartarugas marinhas, foram monitorados 126 ninhos dos quais nasceram sete mil e quatrocentos filhotes. Foi realizado pela primeira vez o monitoramento noturno, com o objetivo de anilhar as tartarugas e assim buscar conhecer suas rotas migratórias, locais de alimentação e descanso, dados importantes para o Projeto Tartarugas Urbanas melhorar e aprimorar suas técnicas de manejo e educação ambiental. Este trabalho é parte do projeto de mestrado da bióloga Cinthia Saska, que estuda o comportamento de desova, da tartaruga de pente em praias urbanas. Para realizar este trabalho, foram convocados estudantes de todo o Brasil, que por meio de estágio voluntário, participaram do projeto e ajudaram na coleta de dados e demais atividades de campo. Outro projeto que contou com o apoio dos estagiários foi o projeto também de mestrado da bióloga Camila Poli, que investiga as causas de morte de tartarugas marinhas no litoral da Paraíba. O Projeto Tartarugas Urbanas, foi criado em março de 2002, totalizando 808 ninhos monitorados e o nascimento de noventa e três mil tartaruguinhas. Contou com cerca de 80 voluntários e viabilizou quatorze trabalhos de conclusão de curso (TCC) e três dissertações de mestrado de estudantes da UFPB, UEPB e outras universidades paraibanas. As atividades do projeto consistem no monitoramento diário das praias para localização e proteção dos ninhos, necropsia de animais mortos e reabilitação de tartarugas debilitadas. Estudos sobre o impacto do lixo no ambiente marinho e costeiro, interação de tartarugas marinhas e outras faunas e atividades de educação ambiental para a conscientização da comunidade sobre a importância de proteger tartarugas marinhas e as praias, garantido assim o valor ecológico, social, educativo, cientifico, recreativo e cultural destes animais e ambientes na geração de boa qualidade de vida para as pessoas.
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Última atualização em Seg, 30 de Agosto de 2010 22:02 |
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Esporte e Educação: Bar do Surfista e Associação Guajiru |
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Ter, 31 de Agosto de 2010 22:12 |
De um cotidiano de peregrinação pedindo uns “trocadinhos” ou um “de comer” em frente a supermercados, padarias e ruas, para uma nova perspectiva de vida, por meio do esporte nasce o compromisso com a escola, com a saúde, com a construção de laços de amizade e respeito ao próximo. É essa a realidade hoje de algumas crianças da comunidade Vila Feliz (bairro do Jacaré em Cabedelo). Tudo isso acontece dentro de um bar o “Bar do Surfista” em Intermares (Cabedelo-PB), e é coordenado por uma ONG, a Associação Guajiru: Ciência – Educação – Meio Ambiente. A ONG foi formada em 2002, com o objetivo de proteger tartarugas marinhas nas praias urbanas de João Pessoa e Cabedelo, e só existe por causa do esporte, ao surfe especificamente, pois foi indo surfar que dois biólogos conheceram o Valdi (dono do bar) e resolveram ajudá-lo, na proteção de ninhos de tartarugas nessas praias. Com estrutura técnica e boa vontade dos voluntários hoje são mais de 800 ninhos já catalogados e 93 mil tartaruguinhas que seguiram para o mar, realidade bem diferente da encontrada em 2002 quando milhares morreram devido à fotopoluição e furtos dos ovos.
Assim como as tartarugas neste local as crianças têm a chance e oportunidade de construir um futuro com mais dignidade. Tudo começou quando Valdi ao ser interpelado por crianças na padaria do bairro, lhes disse: “vão até o bar lá eu dou uma prancha para vocês surfarem e depois a comida”, “não quero ver vocês pedindo na rua”, e assim foi, surfavam comiam e iam pra casa. Muitos apesar disso continuaram pedindo nas ruas e sem freqüentar a escola. Em 2004, apesar das já imensas dificuldades em tocar o projeto das tartarugas, a ONG, na pessoa da bióloga Lenira Guimarães, passou a assumir um papel mais efetivo neste processo e então inicia atividades pedagógicas com as crianças diminuindo ainda mais o tempo ocioso delas. O primeiro passo foi matricular todo mundo na escola, acompanhar as notas e a freqüência e alfabetizá-los, pois muitos não sabiam ler nem escrever. Com o apoio de familiares e amigos, Lenira adquire cadeiras escolares, armários e material didático e desde então todas as tardes após o treino de surfe, a escolinha atende a molecada que no final recebe uma refeição e vai para casa. Essa refeição e doada por alguns amigos da ONG e pelo bar do surfista, que também é responsável, pela preparação dos alimentos. Uma fórmula simples, que tem como principal alicerce a boa vontade, é assim que funciona a Escolinha do Surfista Tia Lenira, sem recursos, sem patrocínio, sustentado por aqueles que fazem o projeto.
Se os resultados fossem somente esses já seriam grandiosos, mas, além disso, algumas das crianças começaram a se destacar como atletas, a exemplo do José Francisco, o Fininho, líder mirim do nordestino amador (Sub-16) e sétimo Júnior nacional amador (Sub-18).
Isso aumenta a responsabilidade daqueles que tem o compromisso com essas crianças, pois, além de buscar alimento, voluntários para as atividades educativas, é preciso apoiar o talento do cidadão atleta, e isso se traduz em mais recursos, para viagens hospedagem, alimentação mais equilibrada, e aqui entram mais outros parceiros, como lojas de roupa, fabricante de prancha, surfistas, empresários locais que confiantes no trabalho de educação, de desenvolvimentos de valores humanos e sociais da ONG e do Valdi, colaboram e torna viável a realização do sonho deste atleta.
Os resultados com as tartarugas são magníficos, sem dúvida e satisfaz nosso objetivo profissional, de usar nossos conhecimentos técnicos na proteção do meio ambiente. No que se refere às crianças a satisfação vai além, ela é pessoal, é o nosso exercício da cidadania, é nossa chance de transmitir valores morais, éticos, a aqueles que estão à margem do sistema e contribuir com um mundo melhor onde todos no sentido mais amplo da democracia tenham condições de desempenhar sua função na sociedade e assim engrandecê-la.
A perspectiva de demolição do Bar do Surfista, hoje representa o fim de todas essas atividades, além de outras como: apoio a grupos da melhor idade, igrejas e associações que usam as instalações do bar como teto, ponto de encontro. Pedimos aqui somente o uso do bom senso, que todos unidos, sociedade civil, autoridades, governantes, empresários, atletas, enfim cidadãos na busca de uma solução que permita a continuidade destas atividades, para não falarmos dos desempregos daqueles que dependem do funcionamento do bar para alimentar suas famílias.
Dra. Rita Mascarenhas
Bióloga
Coordenadora do Projeto Tartarugas Urbanas
Associação Guajiru: Ciência – Educação – Meio Ambiente |
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Última atualização em Ter, 31 de Agosto de 2010 22:39 |
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Mais Tartarugas Mortas por Ingestão de Plástico |
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Ter, 09 de Fevereiro de 2010 14:17 |
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Na última semana, na praia de Intermares, mais cinco tartarugas da espécie verde morreram. Em comum, além da espécie, estes animais apresentavam a mesma causa de morte: ingestão de plástico.
Todos eles continham em seu trato digestório uma enorme variedade de plásticos, dentre eles, pedaços de sacos de lixo pretos, pedaços de sacolas brancas, cordas de nylon e pedaços de plásticos duros, como lacres e hastes de pirulitos.
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Última atualização em Qua, 10 de Fevereiro de 2010 22:04 |
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