| Cadê a tartaruga que estava aqui? O Asfalto comeu.. |
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Entretanto, o trecho em questão com cerca de 1 300m é área de desova de tartarugas marinhas em especial da tartaruga de pente (Eretmochelys imbricata), onde são registrados aproximadamente 20 ninhos por ano. Essa espécie em questão encontra-se criticamente ameaçada de extinção, significando que suas populações estão tão dizimadas que num futuro breve se nada for feito ela estará completamente extinta no planeta. Tartarugas marinhas têm inúmeros papéis na natureza, um dos mais importantes, é o de servir de alimentos para outros animais marinhos, por isso, de cada mil filhotes que entram no mar, somente um ou dois alcançarão a idade adulta (que se dá por volta dos 30 anos de vida), os demais morrem na forma de alimento para outros animais marinhos como, por exemplo, peixes. Na seqüência estes peixes servem de alimento para nós seres humanos. Na areia da praia os restos do ninho, como as cascas dos ovos e embriões mortos, têm papel de adubo para a vegetação de praia, alimento para insetos e outros animais que pertencem aos ecossistemas de restinga, manguezais e por fim da mata atlântica. Portanto, o equilíbrio ecológico destes locais depende das tartarugas marinhas e conseqüentemente nossa qualidade de vida. Podemos dizer, que ao cuidarmos das tartarugas estamos cuidando de nós mesmos ajudando na manutenção da cadeia ecológica marinha e assim garantindo recursos para a nossa e as futuras gerações. De biologia complicada, além de serem animais de vida longa percorrendo centenas de quilômetros nos oceanos na busca de alimento e abrigo, tartarugas marinhas apresentam o que chamamos de fidelidade ao local de nascimento. No momento da emersão do ninho e sua busca frenética pelo mar os filhotes fazem uma leitura do campo magnético da Terra e desta forma memorizam o trecho de praia em que nasceram, para onde, fielmente, somente as fêmeas voltarão para desovar após atingirem a idade adulta. Ou seja, as tartarugas que vemos nascendo neste trecho de praia, são únicas e exclusivas dele, trocando em miúdos são paraibanas, filhas de paraibanas, netas, bisnetas, trinetas, etc. etc. de tartarugas paraibanas, a destruição deste ambiente é a sentença de morte destas paraibanas fiéis ao seu pedaço de chão e do qual dependem para seguir existindo. Além do polêmico projeto a área sofre uma intervenção positiva do Patrimônio da União, que recupera trechos dessa praia que havia, ao longo do processo de urbanização do bairro, sido incorporados por morados aos seus quintais, em muitos havia piscinas, jardins e outros tipos de áreas de lazer. O que não é correto, pois estes trechos são públicos e como tal devem ser devolvidos ao coletivo. Voluntariamente, os moradores recuaram seus muros, e em algumas partes podemos observar a destruição da restinga pela ação dos tratores e máquinas usadas na intervenção. Há que se pensar em uma forma menos danosa ao meio ambiente para a retirada destes destroços, para proteger a restinga, com a vegetação fixadora de dunas, que são os locais de desova das tartarugas. Com a vitória no retorno ao público de áreas até então privatizadas, o que as ONGs e a população esperam é a recuperação do ecossistema, com reconstituição das dunas e da vegetação nativa. Fazer isso é andar na mão do desenvolvimento, aplicar no seu mais pleno conceito o tão famoso jargão “DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL”, pois assim se estará preservando ambientes legalmente protegidos por lei, espécies ameaçadas de extinção e a qualidade de vida dos pessoenses. Fazer isso é garantir que João Pessoa siga sendo a única capital litorânea com desovas de tartarugas marinhas e que as tem porque soube crescer de forma racional. Senão o que nos restará são fotos históricas da riqueza que tínhamos e deixamos se perder porque não olhamos para o futuro.
Dra. Rita Mascarenhas
Coordenadora do Projeto Tartarugas Urbanas
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